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15 outubro 2016

Westworld - Prazer brutal



O prazer brutal tem final violento.


Este artigo traz três referências a cenas do filme que não chegam a comprometer a surpresa de quem for assistir. Mesmo assim, se não desejar conhecer detalhes da estória, assista o filme antes de ler o artigo. 

Imagine uma pequena comunidade no centro de um vasto território do velho oeste norte-americano. Povoe esse mundo com todos os tipos de pessoas e estórias de um filme de faroeste, tais como bandidos assassinos, saloons com mesas de poker e prostitutas, grupos de cidadãos que se juntam ao sheriff para caçar um criminoso foragido, ranchos de criação de gado e de cowboys, enigmáticos vilões que sadicamente executam quem cruza seu caminho, hordas de índios sedentos por escalpos, mocinhos que voltam à cidade para reencontrar seu amor, lindas filhas de fazendeiro prestes a descobrirem seus destinos. Estas são algumas dentre inúmeras estórias acontecendo em todos os cantos da região, diversas possibilidades de aventura, prazer, redenção e brutalidade. Acrescente a esse mundo visitantes determinados a vivenciar essas possibilidades com a garantia de que nenhum prazer será negado e nenhum pecado será punido. Nem a morte terá poder sobre eles. Bem que poderia ser

08 outubro 2016

Kaló Bíblia: Liberdade de pensamento


"É imperioso que se garanta a liberdade de julgamento, para que as pessoas possam conviver em harmonia, por mais diversas ou mesmo francamente contraditórias que possam ser suas opiniões" (Leg 5:2-3)

17 agosto 2016

Espelho Escuro - Ensaio sobre a privacidade nos tempos das câmeras de celular


Em meados do século XX o escritor britânico George Orwell imaginou um mundo onde um Estado totalitário vigiava continuamente cada um de seus cidadãos. "Big Brother is watching you"[1], alertavam os avisos que não deixavam esquecer que em cada esquina, cada edifício, cada corredor e cômodo havia uma câmera de vídeo a indiscretamente observar.

13 agosto 2016

Um pensamento sobre Felicidade


Não acredito no Amor, mas na vontade das pessoas para amar da forma que conseguem. Não acredito na Felicidade, mas na disposição de nos alegrarmos e estarmos bem com os meios que possuímos. O Amor

22 agosto 2015

Livre arbítrio: realidade ou ilusão?


Livre arbítrio, ou vontade livre, entendido como a faculdade mental de se decidir de forma desimpedida e não condicionada o que pensar, o que fazer e o que não fazer, é um tema presente na Filosofia desde suas origens no século VI ac. Na Teologia, é essencial em diversos assuntos caros ao Cristianismo, tais como origem do mal, justificação (salvação e condenação da alma) e moral. E, sobretudo por causa dos temas da responsabilidade e autonomia pessoal, é também importante em sistemas filosóficos humanistas. Os atuais estudos sobre a realidade do livre arbítrio, se existe ou se é uma ilusão, parecem ter graves implicações nessas diversas áreas, sem falar nas ciências sociais aplicadas, tais como Direito e Política. Talvez seja a perspectiva de um suposto esvaziamento de sentido e valor para as ações humanas, que poderia levar à deslegitimação da Moral e do Direito, que provoca em muitos um grande desconforto com a ideia de a mente humana se reduzir a processos físicos e químicos no corpo e, mais especificamente, a processos neurológicos. No caso das religiões abraâmicas, em especial,

21 janeiro 2015

Relatos Salvajes: Imperdível

Muito bem dirigido por Damián Szifron, com uma edição impecável e trilha sonora que enriquece o roteiro, Relatos Selvagens (Relatos Salvajes - 2014) é um filme da categoria "tem que ver antes de morrer". Atuações de alto nível, que nos levam a pensar que deveria ter tido mais indicações ao Oscar 2015. Em seis estórias independentes, situações comuns da vida moderna geram conflitos em que os personagens são levados a extremos com resultados surpreendentes que, embora possam beirar o surreal, nos deixam a sensação de serem possíveis. Provavelmente por que refletem, se não coisas que faríamos, ao menos coisas com as quais já sonhamos fazer. A animalidade do ser humano civilizado é colocada a prova neste grande filme, que tem tudo para levar o Oscar de melhor filme estrangeiro.

19 janeiro 2015

Liberdade de Expressão, o Papa e o atentado ao Charlie Hebdo

“É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri [Alberto Gasbarri, que acompanhava o papa], grande amigo, diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”
O direito à liberdade de expressão universalmente garantido em lei é uma conquista relativamente recente na humanidade e percorreu uma longa trajetória histórica até ser plenamente reconhecido como inerente à dignidade humana. Nunca esteve plenamente assegurado e ainda hoje se encontra, por diversos meios, ameaçado. Terroristas religiosos representam a ameaça mais evidente e violenta, mas não a mais efetiva. Seus maiores inimigos estão entre as nações democráticas e se contam dentre os que se intitulam seus defensores.

Ao contrário do que possa parecer, idealmente não deveria haver limites à liberdade de expressão. Somente a responsabilização. Nas sociedades humanas,

09 janeiro 2015

O Papa Francisco I e o Big-Bang

Em outubro de 2014, num pronunciamento na Pontifícia Academia de Ciências, o papa Francisco I declarou que as teorias do Big Bang e da Evolução das Espécies não contradizem a fé cristã e a crença na criação divina. Para o pontífice católico, “o início do mundo não é obra do caos, deriva diretamente de um princípio supremo que cria por amor. O Big Bang, que hoje se coloca na origem do mundo, não contradiz a intervenção do criador divino, mas o exige. A evolução na natureza não contrasta com a noção de criação, porque a evolução pressupõe a criação dos seres que se evoluem”. Essa declaração, noticiada com alguma importância pela mídia, causou grande impacto nos meios religiosos ocidentais, sobretudo nos meios cristãos mais fundamentalistas. Para alguns, o Papa está abrindo o Catolicismo para o futuro, arejando a cosmogonia tradicional cristã e buscando alinhar sua teologia com os últimos (e consistentes) avanços da cosmologia e da biologia evolutiva. Para outros, o Papa estaria traindo o cristianismo e a Bíblia Sagrada, fazendo concessões para o materialismo científico e ateísmo, que se recusam a crer numa criação divina. Entretanto, haveria outra forma de interpretar essa declaração do líder máximo do Catolicismo Romano, que certamente não veio por acaso?
Primeiramente precisamos reconhecer

01 outubro 2014

Sobre a opinião excretada pelo candidato Levy Fidelix

Debate-se se a manifestação do candidato Levy Fidelix no recente debate eleitoral realizado pela TV Record, especificamente aquela em que ele se posiciona contrário ao casamento homoafetivo e à homossexualidade em geral (e, de quebra, nos dá uma aula de biologia ao ressaltar que "o aparelho excretor não reproduz"), foi ou não uma manifestação preconceituosa ou racista. Muitos ressaltam que ele tem o direito de se posicionar como contrário ou a favor de qualquer assunto, num legítimo exercício de liberdade de expressão, mas devo confessar que tenho minhas dúvidas a esse respeito.
Realmente é verdade que todos nós temos o direito de expressar nossas opiniões. O problema é quando alguém as expressa de forma a incitar ou, ao menos, reforçar uma atitude preconceituosa ou racista de outros, mesmo que o sujeito não tenha essa intenção. Somos responsáveis pelos efeitos funestos que nossa opinião possa causar quando a expressamos publicamente de forma inadequada ou imprópria, como foi no caso dele. Ainda mais numa televisão. Destaque-se que ele chegou a pregar o enfrentamento contra os homoafetivos, o que é inaceitável para um candidato ao posto máximo da república!
Mas vamos pensar. E se ele se limitasse a dizer que não gosta de homossexualidade; pode ou não pode? Se ele dissesse que não gosta, embora reconhecesse nela uma possibilidade válida, eu não veria problema. É como alguém dizer que não gosta de futebol. O problema é quando se passa a dizer que o futebol é imoral, que desvirtua a família e que jogador de futebol deve ser combatido como se fosse um mal na sociedade! Nesse caso eu diria que é preconceito sim.
Veja outro exemplo: Eu posso dizer que não gosto de "João", que por acaso é gay, por que o conheço e ele não é honesto. É opinião fundamentada. Posso também dizer que não gosto de "Maria" por que ela falou mal de mim para a namorada dela, e não estarei necessariamente sendo preconceito. Posso até dizer que não me interesso por transar com pessoas do meu sexo, nem gosto de manter relacionamentos afetivos com elas, e ainda assim eu permaneceria no campo do meu direito a gosto. Mas como posso dizer que não gosto "dos homoafetivos"? A menos que conheça cada um deles individualmente e tenha motivos para os detestar a cada um, dizer isso é generalização. E, portanto, pré / conceito. Ele poderia ter dito que não pretende casar com outro homem, poderia ter dito que a fé religiosa dele diz que só homem e mulher podem casar (é absurdo, mas ainda assim é uma opinião possível). Pode até dizer, como disse, que não apoiará uma lei nesse sentido (estamos numa democracia). Mas declarar que é errado (juízo de valor), que destrói a família e que provocará uma drástica redução da população (com base em que evidências ou estudos sociológicos ele declara isso?) e que os homoafetivos devem ser "enfrentados" é exagerar muito para um homem público! É espalhar intolerância baseada em argumentos não fundamentados, que só agravam o preconceito e a violência contra todo um grupo social.
Mas concordo com quem diz que existem exageros e radicalizações dos dois lados desse debate. Cristãos conservadores em geral e militantes LGBT costumam exagerar na dose, colocado mais lenha na fogueira, o que acaba por dificultar o entendimento e torna o debate honesto quase inviável. Religiosos como ele acham que são herdeiros da autoridade divina e atacam a homoafetividade como se fossem baluartes do bem, da moral e do seu criador. Não entendem que no debate político não existe autoridade maior que a do povo e a da lei, acima de qualquer mandamento bíblico (estamos num estado laico, não é?). Por outro lado, já vi militantes das causas LGBT enxergarem preconceito em tudo, até em meras manifestações de gosto particular não ofensivas. Existe sim um certo patrulhamento de ambos os lados. Mas, se me permitem dizer, acho que os eventuais exageros da militância LGBT não representam nem um décimo das humilhações e desrespeitos que homoafetivos têm sofrido neste País racista, preconceituoso, supersticioso e intolerante.

12 março 2014

Porcos no Poder

Há 70 anos um escritor inglês genial, adepto do socialismo mas inimigo das ditaduras totalitárias comunistas, denunciou em seus livros o desvirtuamento dos ideais de igualdade e justiça social em governos comunistas (ou socialistas), quando uma elite do partido se instala no poder com o único objetivo de lá se perpetuar. Em "Animal Farm" (A Revolução dos Bichos"), George Orwell conta como essa elite dos animais, os porcos, agia enganando e manipulando os outros animais, simplesmente para manter seus privilégios e poder na nova fazenda comunista, de onde os humanos opressores haviam sido expulsos.
Num determinado dia os animais notam que a lei máxima de sua Revolução, "Todos os animais são iguais", tinha sofrido um ligeiro acréscimo que mudaria tudo dali por diante: "mas uns são mais iguais que outros". O pessoal do PT sabe aplicar essa sabedoria suína como poucos no Brasil!

13 setembro 2013

11 setembro 2013

Into The Wild

Christopher McCandless é um jovem que não se encaixa na sociedade de consumo norte-americana. Recém-formado, não quer um carro novo, não quer estudar Direito em Harvard (apesar de ter notas para isso) e despreza relações sociais baseadas em status, dinheiro, carreira ou bens. Para ele a vida moderna é toda baseada em mentiras e maldades. Decide, então, abrir mão de absolutamente tudo e partir em busca de uma vida simples e próxima à natureza, onde deseja encontrar a verdade. Abandona sua família sem deixar rastros. 

"Mais que amor, dinheiro, fé, fama e equidade, dê me a verdade", é uma das várias frases que cita de memória dos livros que carrega consigo, os únicos bens dos quais não abre mão. A filosofia e os poemas de Thoreau, naturalista norte-americano nascido em 1817, radical crítico das ideias desenvolvimentistas e autor da frase, o inspira a ir em frente. Outro escritor que acompanha Chris é Liev Tolstói, escritor nascido em 1828 que, também influenciado por Thoreau, foi um conhecido pacifista e naturalista russo. Alexander Supertramp, nome que o jovem Chris passa a usar, mergulha assim numa vida de liberdade, sem documentos, vivendo um dia após o outro no interior do oeste norte-americano sem nenhum outro plano futuro exceto viver sozinho algum tempo na natureza selvagem do Alasca. O nome adotado por Chris lembra o conjunto de rock Supertramp, mas é uma referência ao estilo de vida que passara a adotar: se tornou um "super-andarilho".


Em dois anos de caminhada e aventuras conhece diferentes pessoas que, cada uma a seu modo, vivem de modo simples suas vidas. Em alguns casos poderia ter fincado raízes, mas não se deixa prender por nada que o impeça de seguir sua aventura solitária. "Há um tal prazer nos bosques inexplorados / Há uma tal beleza na solitária praia / Há uma sociedade que ninguém invade / Perto do mar profundo e da música do seu bramir / Não que ame menos o homem / Mas amo mais a Natureza" é a citação de Lord Byron que abre o filme e define a vontade de Chris de se afastar da sociedade e conhecer a vida selvagem do Alasca. Lá encontra um ônibus abandonado numa planície e resolve estabelecer moradia. Serão, então, pouco mais de 100 dias de vida solitária na natureza selvagem.

Na Natureza Selvagem ("Into The Wild") é um filme de 2007 com roteiro e direção de Sean Penn, baseado na história verídica de Christopher McCandless (foto superior). Emile Hirsch (foto inferior) vive o jovem Supertramp com uma interpretação que envolve, mas é Hal Holbrook, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por esse trabalho, que traz emoção ao filme no papel de Ron Franz. A direção de Sean Penn é competente, mas o ponto alto da obra está na fotografia, com paisagens maravilhosas, e na edição de Jay Cassidy, que recebeu a outra indicação do filme ao Oscar.

Mas não há como deixar de falar da trilha sonora do filme. Com músicas originais, tal como "Garanteed", que ganhou o Globo de Ouro de melhor tema musical original, Eddie Vedder deu um show a parte com cantando letras que traduzem o bem espírito do personagem principal. Aliás, Sean Penn não poderia ter escolhido melhor o compositor para sua trilha sonora, já que o compositor e vocalista da banda de Seattle Pearl Jam tem em sua discografia outro grande sucesso que bem poderia ter sido o tema do protagonista: "I am mine".

Na Natureza Selvagem é daqueles filmes que mexem com o espectador, ficando na cabeça por algum tempo. A maioria de nós se identificará com o jovem Christopher, se não por sua atitude impulsiva e até certo ponto inconsequente, ao menos com seu inconformismo diante das mentiras da sociedade moderna e seu sonho de uma vida mais simples e próxima à Natureza.

 


  




23 agosto 2013

Médicos e a defesa do óbvio

O chanceler Antonio Patriota, em declarações perante a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, disse que a decisão de contratar médicos cubanos "foi tomada em função de considerações dos melhores serviços possíveis" e "não tem motivação ideológica", pois "há muitos médicos cubanos dispostos a fazer esse tipo de trabalho, talvez não tenha muitos médicos austríacos, por exemplo, dispostos a fazer esse trabalho.” Fui só eu que entendi a fina ironia nas palavras do chanceler? Não são essas palavras, por si só, provas da motivação ideológica da decisão de trazer médicos cubanos?

Sei que muitos vão dizer que essas palavras não têm nada de mais, principalmente os que têm por hábito primeiro verificar quem falou para depois decidir se falou a verdade ou não.

Não é óbvia a resposta? Claro que médicos austríacos (supondo que sejam excelentes médicos, como a ironia dá a entender) não querem trabalhar nas comunidades carentes do Brasil, onde a estrutura é precária e falta de tudo. Na verdade, nenhum médico desejaria se submeter a uma situação dessas. De modo geral, salvo raras e nobres exceções, médicos são pessoas comuns que, como qualquer outro profissional, desejam ter uma carreira e condições de trabalho adequadas... Exceto os cubanos! E dai vem a pergunta: o que os médicos cubanos têm de diferente que os leva a aceitar uma missão que nenhum outro está disposto a aceitar?

Mais uma vez: não é óbvia a resposta? Tratam-se de médicos vindos de um país onde liberdade de expressão e vontade pessoal não significam nada e onde se deve prestar juramento ideológico ao Estado para se ser incorporado a essas missões internacionais. Eles estão nessa missão para fazer propaganda do regime cubano, assim como para angariar recursos para o governo de cuba, que confisca parte de seus salários, e não porque são grandes humanitaristas. Mas até ai não há mal algum nisso. O problema é quando o governo do Brasil decide trazer esses médicos justamente por causa dessa característica: por serem cubanos e por terem uma motivação ideológica.

Pois a frase do chanceler demonstra bem essa motivação ideológica: se os médicos austríacos são uma boa opção, se são bons como a ironia do chanceler insinuou, porque se contentar com pouco? Porque não se busca criar as condições para que eles desejem vir ao Brasil? Se a ideia é ter um sistema de saúde bom e eficiente, porque não atrair os melhores médicos oferecendo-se melhores condições? Porque se conformar com os cubanos, que foram os únicos que aceitaram? Mais ainda: porque o governo federal não está debatendo os motivos pelos quais os médicos brasileiros e de outros países não quiseram ir para as comunidades mais carentes? Porque não vejo ninguém do governo questionar as condições que esses médicos cubanos vão ter que enfrentar? Porque estão todos mobilizados na missão de justificar a opção pelos médicos cubanos?

Ainda não está óbvio? Porque do jeito que está é como eles querem que fique. Deste jeito, com postos de saúde precários, só os cubanos aceitam vir para o Brasil, que é exatamente o que o chanceler Antonio Patriota e sua presidente querem. Esses médicos, inseridos em comunidades carentes e remotas do Brasil, não vão poder fazer muito pela saúde dessas comunidades, mas vão fazer uma propaganda que fará a diferença na campanha para a reeleição da presidente Dilma. Afinal de contas, qualquer médico estrangeiro inserido nessas comunidades seria um risco, pois poderia denunciar a farsa do Programa Mais Médicos à imprensa, coisa que dificilmente farão os dóceis e doutrinados médicos de Raúl Castro.

 
Se ainda não está obvia a motivação do Programa Mais Médicos, só me resta citar Bertold Brecht, dramaturgo alemão marxista falecido em 1956, para as palavras de encerramento do texto:



"Que tempos são estes, em que é necessário defender o óbvio?"

22 agosto 2013

Não confunda Hipócrates com Hipócritas!

Hipócrates é o patrono da medicina. Hipócrita é o político que finge estar preocupado em resolver o problema da saúde no Brasil quando, na verdade, quer dar emprego a 4000 médicos-escravos de Cuba, conforme acerto que a presidente Dilma fez a Raúl Castro em 2012.

Se a intenção fosse realmente resolver o problema da saúde nas comunidades carentes e remotas do Brasil, a presidente estaria preocupada primeiramente em equipar os postos de saúde, clinicas e hospitais, que em sua maioria estão sucateados e arruinados. Depois disso, então, com certeza, a adesão de médicos brasileiros e estrangeiros ao Programa Mais Médicos seria sensivelmente maior.

Na prática, o que foi ofertado aos médicos pelo Programa do governo federal foi trabalharem em locais sem mínima condição para a prática da medicina, coisa que poucos médicos aceitariam por livre opção. Mas "livre opção" não é um problema para Cuba, que logo após o anúncio da baixa adesão de médicos brasileiros e estrangeiros ao programa, já estava com 4000 médicos prontinhos, com mala na mão (e bola de ferro no pé), para virem para o Brasil. Em troca, o Brasil pagará os 4000 salários diretamente a Cuba (através da OPAS), que depois vai decidir quanto e quando pagará os médicos escravos. E a presidente Dilma passa a ter um fato político para apresentar em sua campanha de reeleição.

Pelo jeito, se Hipócrates é o patrono da medicina, Hipocrisia é o valor orientador das políticas de saúde do governo federal.

Programa Mais Médicos - A Favor ou Contra?

Vamos esclarecer algumas coisas, pois a confusão só interessa a quem quer manipular a opinião pública.

Programa Mais Médicos

Sou a favor que se conceda benefícios diferenciados e melhores salários a médicos que aceitem trabalhar em comunidades carentes e remotas.

Sou contra que se insinue que médicos brasileiros não querem trabalhar em comunidades pobres por não terem comprometimento social, como se nenhum se importasse com os mais pobres, quando a verdade é que o que não querem é trabalhar num posto caindo aos pedaços onde falta de tudo, desde equipamentos de diagnóstico e exames até gases e água tratada (afinal, isso é trabalho para curandeiro ou rezadeira, não para médicos).

Sou a favor que se aceite médicos estrangeiros que desejem trabalhar no Brasil.

Sou contra que se aceite qualquer estrangeiro que se auto-intitule "médico" sem que prove sua competência por um exame de validação de diploma (afinal, é o diploma válido que diferencia o curandeiro do médico).

Sou a favor se abram vagas específicas, em comunidades carentes e remotas, para a contratação de médicos estrangeiros que desejem trabalhar no Brasil.

Sou contra que essas vagas específicas sejam ofertadas com base em regras que servem para direcionar o programa a um fim ideológico.

Mais uma vez: sou a favor de um programa para levar médicos a comunidades carentes e remotas.

Mas sou contra um programa que desde o início foi direcionado e concebido para que seu resultado final seja contratar médicos de Cuba e reconhecer seus diplomas sem revalidação.

Sou a favor que se pague bem os médicos que oferecerem seu talento a fazer o bem em comunidades carentes.

Sou contra a escravização de médicos cubanos que são enviados a comunidades carentes e remotas por determinação de um Estado ditatorial, que os manterá sob controle e confiscará seus salários, com a complacência e aval do governo brasileiro.

Sou a favor que se coloque médicos em todos os postos de saúde do país. Mas também sou a favor que, com os médicos, se coloque ainda equipamentos, suprimentos, remédios, ambulâncias, etc...

O Programa Mais Médicos, do jeito que foi concebido e empurrado goela a baixo no brasileiro, não vai resolver o problema da saúde no Brasil, mas pretende resolver o problema da reeleição da presidente Dilma em 2014 e, de quebra, mandar verbas para a manutenção do falido governo de Cuba que, apesar das opiniões ideológicas do ministro Antônio Patriota, está muito longe de ser uma democracia.


DETALHE 1: Alguém arrisca um palpite do porque o governo federal insiste em não submeter os médicos estrangeiros a um exame de validação de diploma, algo que seria perfeitamente sensato e natural, além de praticado em todos os países sérios do mundo? Simplesmente porque os médicos portugueses passariam no teste, assim como os espanhóis, italianos, etc, mas não os cubanos! Já há muito tempo a qualidade do médico cubano tem caído, a ponto de recentemente terem sido recusados em alguns países, inclusive no Paraguai. Mas como ficaria muito feio exigir o exame de todos exceto os cubanos, o governo federal veio com essa de liberar todos do exame.

DETALHE 2: O governo de Cuba oferece bolsas em cursos de medicina para brasileiros encaminhados pelo PT e outros partidos de esquerda. Mas agora esses "médicos" precisam do reconhecimento de diploma no Brasil. Será que parte dos médicos cubanos agraciados com a benesse do reconhecimento automático de diploma não será composta por esses companheiros?

26 julho 2013

A Árvore da Vida

Como já foi dito em outras críticas, "A Árvore da Vida" é para poucos. Mas, sem dúvida, é o melhor trabalho de Terrence Malick e um dos melhores filmes da história do cinema.

Quando digo que o filme não é para qualquer um não estou insinuando que foi feito para pessoas inteligentes ou cultas. É preciso ser sensível, ter a capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que o filme provoca para se entender, ou melhor, para se perceber o filme. E ai está o problema: a maioria das pessoas está acostumada com roteiros que explicam tudo em seus diálogos, com início, meio e fim, de modo que nenhum mistério fica sem explicação. Quem entrou no cimema buscando diálogos explicativos e uma história convencional certamente se decepcionou.

O filme de Malick fala sobre a Vida, mas de seu modo particular: pelo que se vê, e o que não se vê; pelo que se ouve, e o que não se ouve; pela emoção que se manifesta nas cenas e nos impactam; ou seja, por todos os meios a disposição de um filme, exceto pelos diálogos elucidativos. O filme não deve ser assistido com a razão, mas com o coração.

Malick, filósofo de formação, quiz realizar um tratado sobre a Vida, mas se quisesse usar argumentos e lógica para isso deveria ter escrito um livro... Conhecedor de todo o potencial de comunicação que o cinema tem, realizou seu tratado filosófico com cores, sons, silêncios, música, imagens e cenas. Se fosse músico, teria feito seu tratado através de uma bela sinfonia. Como é cineasta, realizou um lindo filme.

Em meio a todas as formas em que a Vida se manifesta em nosso planeta desde suas origens, a história de uma família que sofre com a morte de um filho é o fio condutor do filme. Mas essa família não é o tema do filme, e sim A Vida, esse fenômeno maravilhoso que na Terra levou ao desenvolvimento de seres que olham para si mesmos e para o Cosmos na busca de um sentido, e o descobrem, não na ciência ou na filosofia, mas na arte e na contemplação.


"A Árvore da Vida" (The Tree of Life), de 2011, é escrito e dirigido por Terrence Malick ("Além da Linha Vermelha"), com música de Alexandre Desplat ("O discurso do Rei", "Argo") e interpretação de Brad Pitt, Sean Penn e Jessica Chastain.

25 julho 2013

A evolução da Ética - 2

A ciência tem aberto novas portas para o entendimento da consciência humana e, em especial, para a compreensão das relações entre as estruturas cerebrais e a experiência subjetiva de ser autoconsciente, identificando diversos sistemas neuronais implicados nessa experiência.

É certo a experiência subjetiva e de cada um de nós, a vivência de nosso mundo mental, nos convence de que somos autoconscientes, mas só podemos estar certos de que o outro também é pela identificação de que todos fazemos parte de uma mesma espécie animal, a espécie humana, e que, em tese, o que um humano percebe voltando-se para seu mundo interior os outros também percebem ao olharem para si mesmos. Ou seja: embora só tenha certeza da minha própria consciência e capacidade de sentir amor e ódio, dor e prazer, suponho que todos os outros seres humanos também são capazes do mesmo. E essa conclusão, como não poderia ser diferente, tem sido repetidamente corroborada e confirmada pelas pesquisas nas áreas médicas, neurológicas, psicológicas e antropológicas.

Se todos sofrem com a dor, não é correto infringir ao outro uma dor que não quereríamos para nós mesmos. Do mesmo modo, se todos temos a mesma capacidade de sentir prazer, deveríamos nos preocupar em garantir que todos tenham as mesmas oportunidades de conquistar as satisfações que desejamos para nós mesmos. No campo da Ética, esta é uma das bases da solidariedade e dos direitos humanos básicos e universais. Em outras palavras, igualdade de oportunidades e direitos básicos universais são o fundamento sobre o qual pode se desenvolver a solidariedade humana.

Com efeito, direito à vida, direito a uma existência digna, proteção contra violência e proteção contra exploração degradante é o mínimo que se espera da solidariedade para com o outro, visto que é este autoconsciente e capaz de perceber dor e prazer como nós mesmos. Mas, e se eu lhe disser que esse outro pode não ser humano? Ele continua a merecer solidariedade? Mais ainda: e se um cientista lhe provar que outros animais são capazes das mesmas experiências subjetivas? E se ficar comprovado que outros animais também têm consciência? E se descobrirmos que a experiência da autoconsciência não é uma exclusividade do animal humano, como muitos ainda imaginam, mas uma realidade para muitos outros animais, tais como mamíferos e aves?

Como argumentei em artigo anterior, a Ética evolui na história. Não necessariamente para um sentido determinado, não necessariamente do pior para o melhor, ou do selvagem para o civilizado, mas certamente do menos complexo ao mais complexo, já que a experiência humana se acumula na história. Em vista disso, considerando que a nossa capacidade de nos identificarmos com o sofrimento ou com a alegria do outro nos conduziu, ao longo dos séculos, à compreensão de que o outro humano merece igualdade de direitos e oportunidades, somos obrigados agora a encarar um novo desafio: o de nos posicionarmos diante do outro não-humano, que de modo semelhante a nós também tem consciência e também é capaz de experimentar dor e prazer, sentir amor ou ódio.

Em 7 de julho de 2012, numa conferência em Cambridge, neurocientistas de todo o mundo assinaram um manifesto afirmando que todos os mamíferos, aves e outras criaturas, incluindo polvos, têm consciência. Leia a reportagem da revista Veja sobre o assunto e o documento original na íntegra (em inglês) para compreender melhor o que esses cientistas estão afirmando.

Em resumo, o que se descobriu é que as estruturas neuronais envolvolvidas na manifestação da consciência, da percepção de dor e prazer, das emoções básicas e até mesmo do sono REM também podem ser encontradas em muitos outros animais, como mamíferos e aves. Ao contrário do que antes se pensava, os cérebros desses animais são capazes de funcionar de modo similar ao humano e não foi encontrado nenhum motivo para se crer que esses animais não experimentam algo semelhante ao que chamamos de consciência.

O texto declara: “The absence of a neocortex does not appear to preclude an organism from experiencing affective states. Convergent evidence indicates that non-human animals have the neuroanatomical, neurochemical, and neurophysiological substrates of conscious states along with the capacity to exhibit intentional behaviors. Consequently, the weight of evidence indicates that humans are not unique in possessing the neurological substrates that generate consciousness. Non-human animals, including all mammals and birds, and many other creatures, including octopuses, also possess these neurological substrates.” (A ausência de um neocórtex não parece impedir um organismo de experimentar estados afetivos. Evidências convergentes indicam que os animais não-humanos têm a neuroanatomia, neuroquímica e substratos neurofisiológicos de estados de consciência, juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais. Consequentemente, o peso da evidência indica que os humanos não são únicos em possuir os substratos neurológicos que geram consciência. Os animais não-humanos, incluindo todos os mamíferos e aves, e muitas outras criaturas, incluindo polvos, também possuem estes substratos neurológicos.)

Somos, portanto, instigados agora a repensar os limites da Ética e a estender a solidariedade a outros que, embora não sejam humanos, são, como nós, animais com uma rica vida mental. Provavelmente não idêntica à nossa, mas certamente complexa e consciente, capaz dos mesmos sentimentos, emoções, medos, dores, prazeres e, porque não diser, desejos básicos.

24 abril 2013

Congresso terá que aprovar decisões do STF sobre inconstitucionalidade de emendas e de súmulas vinculantes

Deixa ver se entendi... 

Congresso põe em votação qualquer emenda (in)constitucional que beneficie o governo ou os companheiros; Rolo compressor do governo aprova a emenda (in)constitucional; Oposição recorre ao judiciário para analisar se a emenda é inconstitucional; O judiciário, que, ao contrário do Congresso, é feito de juristas, julga a emenda como inconstitucional; julgamento volta ao Congresso e os companheiros, dando uma "banana" para o povo, para a democracia e para a separação de poderes, desfaz a decisão judical e restaura a emenda (in)constitucional. E junte-se a isso a nova emenda constitucional que proibe o ministério público de investigar casos de corrupção, que agora só podem ser investigados pela polícia federal (que é subordinada ao Ministério da Justiça)...

Vão dizer: "Não é bem assim. Quando Congresso e Judiciárionão não se entenderem sobre a sentença de inconstitucionalidade, deverá haver plebicito, o que é democrático."

Como que é? Isso é ridículo! Primeiro porque é uma interferência na independência do Judiciário (uma sentença deveria ser soberana). Segundo porque sabemos muito bem que com a máquina de propaganda e o gigantesco cadastro de "bolsa-compra-de-votos", quer dizer, desculpe, "bolsa-familia" que o governo tem, não dá pra fazer plebicito democrático. E terceiro: com o aumento do quorum mínimo para a votação no STF da inconstitucionalidade de uma emenda, fica quase impossível aprovar qualquer coisa que contrarie o governo, graças aos poucos ministros do STF mais alinhados com o governo que com a Jurisprudência...

Agora ninguém segura esse Congresso e o Governo! Ainda bem que temos o Ministério Público para nos defender... Como é que é? Não temos mais? O Ministério Público não pode mais investigar corrupção? Só a Polícia Federal pode, quando o Ministro da Justiça autorizar? É... Dançamos!

Cada vez mais fica claro que o Brasil caminha para uma Venezuelização. Quem viver, verá!

Detalhe: a comissão que aprovou essa aberração, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), é composta pelos condenados pelo STF no caso do Mensalão, como o José Genoino e o João Paulo Cunha. Será uma vingança? Será?

Leia a notícia

08 março 2013

Onde há fumaça, há "fuego"....

Logo depois do anúncio da morte do presidente Hugo Chavez, o ministro da Defesa da Venezuela, Diego Molero, provocou a reação da oposição ao afirmar que as Forças Armadas do País vão trabalhar para eleger o vice-presidente Nicolás Maduro, atual presidente interino, como presidente da Venezuela.

O pronunciamento foi feito na TV oficial Venezuelana. “Agora mais que nunca o povo venezuelano e a Força Armada Nacional Bolivariana devem estar unidos para chegar ao objetivo ou à missão que ele [Chávez] nos encomendou, que é levar nosso atual vice-presidente da República, Nicolás Maduro, a ser o próximo presidente eleito de todos os venezuelanos”, disse o almirante Molero.

Até que se realizem novas eleições, o presidente interino Maduro deve assumir a presidência, devendo, portanto, fazer um juramento perante o Congresso Nacional. Hoje, 08 de março, o Presidente do Congresso anunciou que o juramento será feito numa sessão extraordinária, não no Congresso, sede do Poder Legislativo Nacional, mas na Academia Militar, casa sob jurisdição do Ministério da Defesa. Onde há fumaça, há "fuego"....

 

Sofismo e Democracia Venezuelana

Na Grécia Antiga eram conhecidos como sofistas os sábios com grande habilidade retórica, muitas vezes políticos e pedagogos (aqueles ofereciam serviços de ensino e treinamento em filosofia e retórica para quem estivesse disposto a pagar por isso). Platão, seguido da maior parte dos filósofos até aos nossos dias, enxergava a atividade dos sofistas uma perversão voluntária do raciocínio demonstrativo para fins pessoais, duvidosos e, porque não dizer, ideológicos. Segundo Platão, o sofista era "um impostor, caçador interessado em jovens ricos, comerciante didático e atleta no combate verbalístico ou erístico, purificador de opiniões" e, também, um "malabarista de argumentos, mais verossímeis do que verdadeiros, mais sedutores do que plausíveis.”
Não se tratavam de pessoas que não conhecessem bem a lógica e a filosofia. Ao contrário, sofistas eram verdadeiros sábios e habilidosos filósofos que, para benefício próprio ou de seus educandos, se utilizavam de suas grandes habilidades retóricas para convencer interlocutores menos treinados. Técnica essencial para um político que queria fazer uma carreira de sucesso.
O que mais incomodava Platão (que, assim como seu discípulo Aristóteles, primava pela correta observação das regras da lógica) era a tese defendida pelos sofistas segundo a qual não há diferença significativa entre o verossímil (o que não é verdade, mas aparenta ser) e o verdadeiro. Para o sofista, se um argumento aparenta ser verdadeiro, se pode ser fundamentado por uma boa retórica, é tão verdadeiro quanto qualquer outro que possa do mesmo jeito ser sustentado. O sofista é a expressão filosófica do político inescrupuloso.
Uma das artimanhas usadas pela técnica sofística é o uso de uma lógica deformada. O sofista e, em especial, o político habilidoso que usam esse artifício sabem bem onde querem chegar, pois, para atingir seus objetivos e convencer o interlocutor, lançam mão de um raciocínio falho que normalmente rejeitariam se ouvissem de outros.
Um exemplo excelente de sofisma é o raciocínio usado esta semana pelo Ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, eficiente porta-voz do Governo Federal quando o assunto é justificar os apoios que o Governo do PT presta a algumas das mais escandalosas ditaduras do mundo ("hay oposición a los Estados Unidos, soy a favor"), para chegar à conclusão de que a Venezuela de Hugo Chavez é uma democracia: "há uma oposição organizada lá, o que mostra que a Venezuela é uma democracia". Uma pérola do sofismo.
Sabemos bem que não há democracia sem pluralidade partidária e liberdade política. Mas porque esse meu raciocínio é verdadeiro? Simplesmente porque "democracia" é, como diz a palavra, o "governo do povo" e o povo não é homogêneo. Ou seja, para ser governo de todo o povo, a democracia precisa providenciar liberdade de expressão para todas as opiniões, com liberdade e igualdade. Há um claro consenso de que na década de 70 o Brasil não vivia uma democracia porque, embora houvesse uma oposição organizada (existia um partido de oposição chamado MDB) e houvesse eleições, era óbvia a perseguição que o governo federal e a cúpula militar fazia contra qualquer um que se tornasse um problema. Pessoas eram presas, opositores eram exilados, empresas eram fechadas, jornais e outros órgãos de imprensa eram censurados, artistas eram vigiados. Isso não é democracia...
Nosso inteligente Ministro sabe bem que a simples existência de um partido de oposição e de eleições não faziam do Brasil uma democracia na época militar. Mas parece não lembrar disso quando diz que a Venezuela, que fecha emissoras de televisão e oprime opositores, é uma democracia. Só "parece" esquecer, pois nosso sábio ministro sabe bem que o bom sofismo é o que "parece mas não é" verdade.

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